domingo, 28 de novembro de 2010

Sobre devaneios e permanência

 
Por Israel Leal 

Deus não está comigo, Deus não está comigo! Estou desamparado, sou mais animal do que gente, não tenho a inteligência que um ser humano deve ter, nunca aprendi a ser sábio e não conheço o Deus santo. 

A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem levamos em tudo isso? Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. O sol continua a nascer e se pôr, e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. 

Todas as coisas nos levam ao cansaço, um cansaço tão grande que nem dá para medir.  Os nossos olhos não se cansam de ver, nem os nossos ouvidos de ouvir, o que aconteceu antes vai acontecer outra vez, o que foi feito antes será feito novamente não há nada de novo nesse mundo.

Assim, procurei descobrir o que é o conhecimento (diferente de educação) e a sabedoria (que vem do Pai), o que é a tolice e a falta de juízo. Mas descobri que isso é o mesmo que correr atrás do vento, então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida, mas descobri que isso também é ilusão. Cheguei à conclusão de que o riso é tolice, que o prazer não serve para nada. Apenas momento.

Consegui tudo o que desejei, não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz no meu trabalho e essa era a minha recompensa. Mas quando pensei em todas as coisas que havia feito, e no trabalho que tinha tido para conseguir realizar, compreendi que tudo aquilo não passava de um simples devaneio, não tinha nenhum proveito, era como se eu estivesse correndo atrás do vento.

Então comecei a pensar no que é ser um homem erudito e no que é ser ridículo, ou um imbecil sem juízo. Por exemplo: Será que uma autoridade pode fazer alguma coisa que seja nova? Não! Só pode fazer o que fizeram as autoridades antes dele. E cheguei à conclusão de que o homem erudito é melhor do que o ridículo, assim como a luz é melhor do que a escuridão.

Os homens eruditos podem ver para onde estão indo, mas o ridículo anda na escuridão. Porém eu sei que o mesmo que acontece com o erudito, acontece com o imbecil.

Pensei: O que acontece com o imbecil vai acontecer com o erudito também, então o que eu ganho sendo um homem erudito? Nada! 

Ninguém lembra para sempre dos homens eruditos como ninguém lembra do imbecil. No futuro todos nós seremos esquecidos, todos morreremos, tanto erudito quanto o imbecil.

Nós trabalhamos e nos preocupamos a vida toda e o que é que ganhamos com isso? Tudo o que fazemos na vida não nos traz nada a não ser preocupações e desgostos. Não podemos descansar nem de noite, é tudo ilusão.

Jeová dá sabedoria, conhecimento e felicidade às pessoas de quem ele gosta. Mas o Pai faz com que os maus trabalhem, economizem e ajuntem afim de que a riqueza deles seja dada as pessoas de quem ele gosta, mas é um devaneio, é tudo como correr atrás do vento. A melhor coisa que alguém pode fazer é comer e beber e se divertir com o dinheiro que ganhou.

No entanto compreendi que mesmo essas coisas vêm do Pai, sem ele como teríamos o que comer ou como nos divertir? 

Vejo que as sensações da vida, podendo ser boas ou ruins, limitam nosso viver. Se vivermos com essas sensações e fizermos delas nosso tudo, a nossa eternidade se resumirá nisso.

Sabendo eu que a vida resume-se em quatro estações, entendi que seu sentido é: nascer, crescer, correr e morrer. Este último, o lugar silencioso. Fica claro para mim o que realmente é digno de valor. Na hora da morte, morre um sonho, planos, projetos, momentos, desaparece tudo o que este mundo tem a oferecer a um homem. É valioso somente o que permanece eternamente.  
  

3 comentários:

  1. Tudo na vida passa... Alegrias momentânes,projetos futuros... Mas de que futuro realmente?
    Nada levaremos desse mundo!
    Não nos damos conta de quanto nos apegamos ao que é passageiro...
    A simplicidade das coisas já não tem mais valor nesse mundo artificial, infelizmente!
    Será que sabemos o que realmente importa? O que realmente é real?
    Texto excelente!

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  2. Fala Wanbrother...Já conhecia teu blog rapá, só não tinha o link para entrar...rsrsr
    To seguindo também rapá. Tamo junto!

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  3. Sempre que eu leio este versículo bíblico, desde a primeira vez que o li, fico extasiada:
    Isaías 6
    No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.

    Na tradução que li, na primeira vez dizia:
    que "as abas de suas vestes enchiam o templo."

    Eu parava e ficava extasiada com aquela visão em minha imaginação, contemplando, até hoje me dá vontade de chorar, só de pensar como pode ser um DEUS tão sublime.

    Todo o resto é literalmente correr atrás do vento.

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